Juiz da Lava Jato é suspenso por suspeita de furtar champanhe em supermercado em SC

Juiz da Lava Jato é suspenso por suspeita de furtar champanhe em supermercado em SC
vitor augusto 17 dez 2025 18 Comentários Política

Imagens de câmeras de segurança mostram o juiz federal Eduardo Appio escondendo garrafas de champanhe Moët & Chandon em sacolas de compras, sem pagar — um ato que, segundo a Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), pode ter violado o dever ético de magistrados. Os fatos ocorreram em três ocasiões entre setembro e outubro de 2023, no supermercado Giassi Supermarkets, em Blumenau, Santa Catarina. O caso, inicialmente tratado como um simples furto, ganhou dimensão nacional por envolver um juiz que sucedeu Sergio Moro na condução dos últimos processos da Operação Lava Jato — e por revelar uma contradição chocante: o homem que julgava corrupção em grandes escala, seria acusado de furtar R$ 1.197 em bebida alcoólica.

As câmeras não mentem — e nem o boletim de ocorrência

As gravações obtidas pela Polícia Civil de Santa Catarina mostram Appio, em três ocasiões distintas, retirando as garrafas das prateleiras, colocando-as em sacolas de compras e passando pelo caixa sem pagar. Em uma das sequências, ele segura um ursinho de pelúcia na mão enquanto uma garrafa permanece escondida na sacola. Ao ser confrontado por seguranças, teria tentado pagar com cartão — mas sem comprovar a compra do champanhe. O supermercado já havia registrado o fato na polícia antes mesmo da tentativa de pagamento. A identificação do suspeito veio por meio da placa do veículo registrado em seu nome, estacionado no local.

Em 23 de outubro de 2023, a polícia notificou oficialmente a TRF-4. Uma semana depois, o tribunal emitiu uma ordem de suspensão provisória. A decisão, mantida em sigilo por semanas, foi tornada pública em 27 de novembro, quando foi aberto o Processo Administrativo Disciplinar (PAD). A corte citou o Artigo 35, I da Lei 8.429/1992, que exige dos magistrados conduta irrepreensível — mesmo fora do ambiente de trabalho. "Conscientemente esconder a bebida em sacola de compras", afirmou o tribunal, "não é um erro de judgment, é uma falha moral".

"É fake news", diz o juiz — e aponta política

Appio nega categoricamente. Em entrevista ao NSC Total, disse: "Não sei do que se trata. Sempre paguei minhas compras. Tenho recibos. Sempre paguei todas as minhas despesas." Mas os recibos apresentados, segundo a polícia, não incluíam o champanhe. Em declaração à VEJA, ele foi além: "É coincidência tudo isso acontecer em uma cidade onde todo mundo é bolsonarista?". A insinuação é clara: ele acusa o caso de ser uma armação política, por estar em uma região de forte apoio à direita.

Ele não é novo em controvérsias. Em 2023, já havia sido suspenso de atuar nos processos da Lava Jato por envolvimento em uma ligação anônima com ameaças ao filho do desembargador Marcelo Malucelli, membro da TRF-4. Na ocasião, aceitou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) sem detalhar os fatos. Agora, o tribunal recusou um novo TAC, dizendo que o caso configura "infração de alto grau". E isso é grave — porque, na magistratura, a credibilidade é mais valiosa que o salário.

Sergio Moro responde — e não poupa palavras

O ex-juiz e atual senador Sérgio Moro (União Brasil-PR), que transferiu os casos da Lava Jato para Appio ao deixar a Justiça para entrar na política, não se calou. Em nota oficial, disse: "O juiz Appio vive num mundo de fantasias. Nenhuma de suas acusações resultou em acusação contra mim. Não sou responsável se ele decidiu furtar champanhe três vezes em um supermercado." A resposta foi dura, mas estratégica. Moro, que virou símbolo da operação, não quer ser associado ao escândalo. E o faz com um toque de ironia — quase como se dissesse: "Isso não é corrupção de alto nível. É ridículo."

Por que isso importa — e o que pode vir a seguir

Por que isso importa — e o que pode vir a seguir

A Lava Jato não é só um processo. É um símbolo. Um marco na história recente do Brasil. E quem o conduz — mesmo que em seus últimos capítulos — carrega o peso da expectativa pública. Appio foi escolhido por ser considerado um "herdeiro" de Moro. Mas a crítica da imprensa e da própria magistratura sempre o apontou como um juiz com ligações próximas ao PT, e um adversário declarado de Moro. Agora, o escândalo pode ser o fim da sua trajetória.

Fontes próximas ao TRF-4 afirmam que a expectativa é que o PAD resulte em sua aposentadoria compulsória. O prazo padrão para conclusão é de 140 dias — mas pode ser prorrogado. Se aprovado, ele perderá o cargo, o salário e, o que é pior, a reputação. A TRF-4 deixou claro: "A gravidade dos fatos, em tese, pode comprometer a integridade do Poder Judiciário e a autoridade do juiz perante aqueles que estão sob sua jurisdição."

Um juiz, três garrafas e um sistema que não perdoa

O que parece um episódio banal — furtar champanhe — na verdade toca em algo mais profundo: a percepção de que a justiça, por mais que se esforce para ser imparcial, é feita por seres humanos. E humanos erram. Mas quando se trata de juízes, o erro não é apenas pessoal. É institucional. E isso não é aceitável.

Appio, que chegou a ser chamado de "alvo de críticas" pela revista Oeste e "adversário de Moro" pela VEJA, agora enfrenta o que pode ser o maior desafio da sua carreira: provar que não é o que as câmeras mostram. Mas, até lá, ele está suspenso. E o Brasil, de novo, olha para a Justiça com desconfiança.

Frequently Asked Questions

Como o juiz Eduardo Appio foi identificado como suspeito?

A Polícia Civil de Santa Catarina identificou Appio por meio da placa do veículo registrado em seu nome, estacionado no Giassi Supermarkets em Blumenau durante os incidentes. As câmeras de segurança mostram claramente o homem que retira as garrafas, e a coincidência temporal e espacial, somada ao relato de funcionários, permitiu a confirmação da identidade.

Quais leis o juiz pode ter violado?

Além da lei penal de furto, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região apontou a violação do Artigo 35, I da Lei 8.429/1992, que exige magistrados a manter conduta irrepreensível. Também foi citada a Resolução 195/2014 do CNJ, que obriga juízes a respeitar a lei em todos os âmbitos da vida — pública e privada.

Por que o caso foi aberto como processo administrativo e não criminal?

O processo administrativo disciplinar (PAD) trata da conduta funcional do magistrado. Mesmo que haja investigação criminal, o TRF-4 tem competência para julgar a adequação ética e profissional do juiz. A punição pode ser mais severa no âmbito administrativo — como a aposentadoria compulsória — sem precisar de condenação penal.

O que pode acontecer se o processo for concluído com culpa?

A sanção mais provável é a aposentadoria compulsória, conforme indicado por fontes judiciais. Isso significaria perda do cargo, do salário e da possibilidade de atuação na magistratura. Em casos graves, também pode haver proibição de exercer funções públicas por até oito anos, conforme a Lei de Improbidade Administrativa.

Há precedentes de juízes suspensos por furto?

Sim. Em 2020, um juiz federal no Rio Grande do Sul foi afastado por furtar itens de um supermercado. Em 2017, um desembargador no Paraná foi punido por tentar furtar um celular em loja. Mas nenhum caso teve o mesmo impacto simbólico — por envolver um juiz da Lava Jato, símbolo da combate à corrupção.

O que o caso revela sobre a percepção da Justiça no Brasil?

Revela que, mesmo após anos de operações como a Lava Jato, a população ainda vê a Justiça como um sistema frágil — onde o poder pode corromper até os que juram combatê-lo. A ironia é cruel: quem julgava políticos por desvios bilionários agora é acusado de furtar R$ 1.200 em bebida. A percepção de hipocrisia é o verdadeiro dano.

18 Comentários

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    Mayri Dias

    dezembro 19, 2025 AT 02:46

    Isso é o que acontece quando a gente coloca pessoas com poder absoluto em lugares onde ninguém olha direito. Juiz é humano, sim, mas quando ele joga a ética pro lixo, o sistema todo treme. Ninguém é acima da lei, nem quem a julga.

    Essa história tá mais pra fábula moderna do que pra notícia real.

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    Bruno Rakotozafy

    dezembro 19, 2025 AT 23:51

    mano eu to vendo isso e nao consigo acreditar tipo ele furtou champanhe mas acho q foi um erro tipo esqueceu de pagar kkkk
    nao acho q ele eh um bandido so pq pegou 3 garrafas

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    Gabriel Nunes

    dezembro 21, 2025 AT 13:07

    Claro que ele é inocente, pq é da Lava Jato e todo mundo sabe que juiz da Lava Jato é santo, né? Enquanto isso, os verdadeiros ladrões estão na Câmara com 200 mil de salário e ninguém faz nada.

    Isso aqui é pura perseguição política. Bolsonarista não fura supermercado, só fura o bolso do povo.

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    Luiz André Dos Santo Gomes

    dezembro 22, 2025 AT 18:31

    Olha, eu acho que a gente tá vivendo um momento de esgotamento moral. A Lava Jato começou como um sonho de justiça, virou um culto, depois uma arma política, e agora o herdeiro dela é pego com champanhe na sacola?

    É como se o Deus da Justiça tivesse se cansado e decidido fazer um teste: "Vamos ver se vocês ainda acreditam em mim quando o meu representante é um ladrãozinho de bebida?"

    É triste. É cômico. É profundo. É o fim de uma era com um suspiro e uma garrafa de Moët.

    😂

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    João Pedro Ferreira

    dezembro 24, 2025 AT 04:11

    Se ele fez isso, tem que ser punido. Se não fez, tem que ser provado. Mas o mais importante é que o sistema funcionou: as câmeras registraram, a polícia investigou, o tribunal agiu. Isso é bom. Mesmo que o nome dele seja polêmico, o processo precisa ser justo.

    Não precisamos de heróis. Precisamos de regras que funcionem, mesmo quando o culpado é um juiz.

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    Jailma Jácome

    dezembro 25, 2025 AT 19:16

    Eu penso muito nisso... A gente quer acreditar que quem julga é melhor que quem é julgado, mas será que não é só uma ilusão que a gente constrói pra se sentir seguro? Se o juiz pode furtar, então a justiça é só um espelho da sociedade - e aí a gente tem que olhar pra dentro, não pra ele.

    Não é só sobre champanhe. É sobre o que a gente tolera, o que a gente ignora, o que a gente perdoa quando o culpado tem túnica e título.

    Quem sabe, se a gente parasse de colocar juízes em pedestais, a gente não se chocaria tanto quando eles caem?

    É só uma ideia...

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    Iara Almeida

    dezembro 26, 2025 AT 13:15

    Se ele não pagou, ele furtou. Ponto.

    Não importa se é champanhe ou pão. O ato é o mesmo. E se ele é juiz, o peso é maior. Não precisa de drama. É só ética.

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    Paulo Cesar Santos

    dezembro 27, 2025 AT 09:39

    Esse cara é o típico juiz que acha que é o Batman da justiça mas na real é só um cara que quer um bom vinho sem pagar. Tá no nível de quem rouba café da máquina da empresa e depois fala que é contra corrupção.

    Ele não é um herói, nem um vilão. É um idiota com túnica.

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    Anelisy Lima

    dezembro 29, 2025 AT 02:14

    Se o cara é bolsonarista, ele tá sendo perseguido. Se ele é petista, ele tá sendo punido. Mas se ele é juiz e fura o supermercado, ele tá sendo o que merece: um exemplo.

    Quem acha que isso é política está cego. Isso é moral. E moral não tem partido.

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    Diego Almeida

    dezembro 30, 2025 AT 20:57

    EU NÃO ACHO QUE ELE FEZ ISSO 😭

    É TUDO UMA ARMAÇÃO DO PT PRA DESACREDITAR A LAVA JATO 😭

    ISSO É O QUE A GENTE CHAMA DE JUSTIÇA SELETIVA 😭

    EU SÓ QUERO QUE ELES MOSTREM O RECIBO DO CHAMPANHE 😭

    SE ELE NÃO PAGOU, POR QUE NÃO TINHA NA NOTA? 😭

    ISSO É UM ATAQUE À MINHA FÉ NA JUSTIÇA 😭

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    Vinícius Carvalho

    dezembro 30, 2025 AT 23:44

    Se isso for verdade, é triste. Mas se for falso, é ainda pior - porque a desconfiança já está lá. O mais importante agora é que o processo seja transparente. A gente precisa ver a justiça funcionando, mesmo quando dói.

    Eu torço para que a verdade venha à tona. Seja qual for.

    💙

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    João Victor Viana Fernandes

    dezembro 31, 2025 AT 07:58

    Essa história é uma metáfora perfeita do Brasil: um sistema que condena bilhões de desvios, mas não consegue lidar com um roubinho de champanhe. O que é mais corrupto: furtar R$ 1.200 ou furtar a confiança de milhões? O juiz acha que é só um erro, mas o povo acha que é um espelho.

    Ele não furtou apenas bebida. Ele furtou o símbolo da Lava Jato. E agora, quem vai segurar o pote de ouro? Porque o povo já não acredita mais que alguém lá dentro é limpo.

    A moral não é uma questão de lei. É uma questão de exemplo. E ele falhou. E isso é pior do que qualquer sentença.

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    Dayane Lima

    janeiro 1, 2026 AT 06:53

    Então... ele já tinha sido suspenso antes por ameaça ao filho de um desembargador? E agora fura champanhe? Tipo, isso é coincidência ou padrão? Acho que o sistema tá tentando avisar algo...

    Alguém tem mais infos sobre esse caso anterior?

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    Volney Nazareno

    janeiro 2, 2026 AT 09:14

    Conforme o artigo 35 da Lei 8.429/1992, a conduta do magistrado deve ser irrepreensível. O fato de o ato ter ocorrido fora do ambiente funcional não exime a responsabilidade ética. A TRF-4 agiu corretamente ao instaurar o PAD. A sanção cabível, em caso de comprovação, é a aposentadoria compulsória, conforme precedentes do CNJ.

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    Rodrigo Eduardo

    janeiro 3, 2026 AT 23:12

    Ele é o herdeiro do Moro e agora fura champanhe? É tipo o Batman virar ladrão de biscoito

    Isso é o fim

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    Caio Pierrot

    janeiro 3, 2026 AT 23:13

    Estamos diante de um caso de falha sistêmica. O juiz não é um ícone, é um agente público. O fato de ele ter sido escolhido como sucessor de Moro carrega uma carga simbólica que excede o ato em si. A ação de não pagar não é apenas um furto - é uma violação de contrato social. A justiça não pode operar com duplo padrão. Se a Lava Jato foi sobre accountability, então esse caso é a sua prova de conceito. O sistema falhou? Não. O sistema está sendo testado. E o resultado será a restauração ou a erosão da confiança. O que escolhemos acreditar agora define o futuro da instituição.

    É mais do que champanhe. É o que a gente valoriza.

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    João Victor Viana Fernandes

    janeiro 5, 2026 AT 21:59

    Eu vi o comentário do Moro e achei cruel, mas preciso admitir: ele fez o que qualquer político faria. Ele não defendeu o juiz. Ele se distanciou. E isso é inteligente. Porque se ele disser "ele é inocente", ele se torna cúmplice. Se disser "ele é culpado", ele se torna juiz. Então ele escolheu ser o narrador da ironia.

    "Não sou responsável se ele decidiu furtar champanhe."

    Essa frase é mais poderosa que qualquer sentença. É o fim da lenda. E o começo da verdade.

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    Iara Almeida

    janeiro 6, 2026 AT 18:17

    Se o Moro disse isso, então o caso tá encerrado. Ninguém precisa mais de mais palavras.

    Ele furtou. O sistema agiu. O resto é ruído.

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