Em um movimento que muda a dinâmica das prévias internas para as eleições presidenciais de 2026, Flávio Bolsonaro, senador do PL, aparece numericamente à frente de Lula, presidente do PT, pela primeira vez em pesquisas recentes. O dado sai da nova pesquisa AtlasIntel, divulgada em parceria com a Bloomberg News nesta quarta-feira, 25 de março.
Num cenário hipotético de segundo turno, Flávio registrou 47,6% das intenções de voto contra 46,6% do presidente. Embora a diferença de 1 ponto percentual caia dentro da margem de erro da sondagem — considerada empate técnico —, o número simboliza uma inversão importante na corrida eleitoral até então dominada pelo mandatário petista. A virada ocorre sete meses antes do pleito oficial, previsto para outubro de 2026, e sinaliza que a briga pela presidência da República será disputada milimetricamente.
Os números que mudaram a perspectiva
A pesquisa foi aplicada entre 18 e 23 de março, com uma amostra robusta de 5.028 entrevistados distribuídos pelo país. O detalhe crucial não está apenas no empate técnico do segundo turno, mas na evolução dos índices individuais. Enquanto Lula teve uma oscilação positiva mínima de 0,5 pontos, Flávio Bolsonaro cresceu 1,3 pontos percentuais desde a última medição realizada em fevereiro.
No primeiro turno, no entanto, a realidade ainda favorece o atual governo. Lula continua com liderança isolada neste cenário, somando 45,9% de aprovação. Isso dá ao presidente a vantagem inicial caso o voto seja definido logo no primeiro dia de votação. Mas a matemática do segundo turno revela onde a força do governo enfraquece: se a eleição avançar para o runoff, Lula perde terreno significativo contra o filho de seu antecessor, Jair Bolsonaro.
O contexto da ineligibilidade também pesa nos cálculos. Quando a pesquisa testou um cenário com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está inelegível e preso, os números mostraram uma consolidação da direita. Nestas condições, o antigo mandatário chegou a 47,4% contra 46,6% de Lula. Isso sugere que, na cabeça do eleitorado bolsonarista, o voto pode migrar para Flávio no momento decisivo se o pai não puder concorrer diretamente.
O recorte demográfico que preocupa o Palácio do Planalto
Para quem entende de comportamento eleitoral, os dados por trás da porcentagem contam a história real. O levantamento revela um deslocamento nas bases tradicionais de apoio. Historicamente, a base progressista e governista tem como forte pilares os benefícios sociais e a classe popular de baixa renda.
Surpreendentemente, a pesquisa aponta que Flávio Bolsonaro vem ganhando expressividade justamente entre eleitores com renda familiar mensal de até R$ 2.000. Este é um segmento sensível para o governo Lula, composto majoritariamente por beneficiários de programas de assistência social. Se esse corte está correto e se sustenta, representa um desafio estratégico enorme para a reeleição do governo federal.
Por outro lado, o presidente mantém suas fortalezas consolidadas. Entre mulheres, eleitores acima de 35 anos e segmentos de alta renda, o PT segue com maioria clara. Regionalmente, o Nordeste e o Sudeste continuam como territórios favoráveis ao atual mandato. O dilema é claro: Lula precisa entender por que parte de sua base tradicional de sustentação financeira e populacional começa a dar sinais de desconforto ou mudança de preferência.
O que isso significa para a campanha
A divulgação dos dados da AtlasIntel gera uma pressão imediata sobre ambas as frentes políticas. Para a oposição, a notícia serve como termômetro de viabilidade eleitoral para o candidato do PL. Se Flávio consegue empatar com Lula no segundo turno enquanto o pai está desqualificado, a equipe dele ganha argumento de viabilidade nacional.
Por outro lado, para o governo, é hora de revisar a estratégia de comunicação. Os outros candidatos testados na pesquisa mostram números muito mais baixos: Renan Santos (PP) obteve 4,4%, Ronaldo Caiado (UNIÃO) 3,7% e Romeu Zema (Novo) 3,1%. Isso indica que o campo político está polarizado basicamente entre dois polos: lulistas e bolsonaristas.
Perguntas Frequentes
Isso significa que Flávio vai vencer as eleições?
Não necessariamente. A diferença de 1 ponto está dentro da margem de erro estatística da pesquisa (±1%), configurando um empate técnico. Além disso, eleições são dinâmicas e mudam conforme a campanha avança, especialmente até outubro de 2026.
Como a ineligibilidade de Jair Bolsonaro afeta esses números?
A pesquisa mostra que o voto bolsonarista tende a se concentrar em Flávio quando Jair está fora. Em testes hipotéticos, Jair teria 47,4% contra 46,6% de Lula, sugerindo que Flávio absorve boa parte desse espectro eleitoral no segundo turno.
Qual método foi usado nesta pesquisa?
O Instituto AtlasIntel realizou entrevistas telefônicas e online com 5.028 pessoas entre 18 e 23 de março de 2026. A metodologia é transparente e possui credencial do TSE para pesquisas eleitorais oficiais.
Quem lidera no primeiro turno atualmente?
Luiz Inácio Lula da Silva mantém liderança confortável no primeiro turno com 45,9% das intenções de voto, à frente de Flávio Bolsonaro, que soma 40,1% neste mesmo cenário específico de sondagem.